17.4.08

Hora de mudar de discurso

Cansei de ouvir um certo papinho da imprensa.

Antes, durante ou depois de qualquer jogo do Corinthians:

"O problema desse time é do meio para frente"

"A defesa está arrumada, mas no ataque não tem qualidade"

"O que falta são atacantes que chamem o jogo"

Não discuto as críticas ao ataque.

Afinal acreditar em Herrera, Lulinha, Acosta e companhia não é uma aposta inteligente, para dizer o mínimo.

Mas o que me irrita são os elogios e o tratamento diferenciado com o sistema defensivo do Corinthians.

A defesa passou por uma fase boa no começo do ano, mas já caiu de produção há algum tempo.

Sofrer 3 gols do medíocre Goiás no jogo de ontem foi mais uma prova disso.

E a defesa não foi fraca só nos lances de gols, mas durante todo o jogo, sempre deixando espaços demais e falhando muito na saída de bola.

E não critico aqui só Chicão e William.

Mas os volantes não têm conseguido dar qualquer cobertura eficiente e os laterais permitem cruzamentos para a área com muita facilidade.

Parece que Mano perdeu a mão de sua defesa exatamente quando partiu para se preocupar com o ataque.

Talvez seja necessário dar alguns passos para trás e novamente arrumar a sua retranca.

Se os comentaristas por aí continuam achando que tudo está ok, tenho certeza que Mano, inteligente como é, sabe que não tem funcionado assim.

O problema é que o tempo corre, o sufoco na Copa do Brasil já está armado e a Série B começa logo mais...

Haja trabalho!

Sobre o direito de errar

Reforçar um time no Brasil é uma tarefa de dificuldade enorme.

E esperar que qualquer diretoria acerte sempre é uma bobagem sem tamanho.

O São Paulo resolveu dispensar de vez um de seus reforços desta temporada sem dar quaisquer explicações.

Carlos Alberto (foto) chegou, foi embora e só o gol contra o Santos, para decidir o clássico, foi realmente valioso.

O resto foi trágico.

Então passei a ouvir e ler diversos comentários maldosos sobre a diretoria do tricolor.

Escreveram por aí que, de um ano para o outro, tudo piorou muito para os lados do Morumbi.

Não é bem assim!

A verdade é que a culpa é da própria imprensa, que sempre exagerou nos elogios nos últimos dois anos...

E agora que as coisas não estão indo tão bem, exageram nas critícas.

Tentei lembrar de alguns erros de contratações dos últimos anos: Hugo, Rodrigo Fabri, Christian, Rondon, Jadílson, Dagoberto, Leandro Bonfim, Lima, Marquinhos, Edgar, Fernando, Fredsson, Maurinho, Reasco, Joílson, Juninho...

Mas no meio de tudo isso, também aconteceram acertos importantes e o sucesso do São Paulo é a prova disso.

No fim, tudo vira uma questão de ponto de vista.

Se você quer olhar por um ponto falso e otimista, relata as conquistas e as boas contratações.

Se você quer olhar por um ponto falso e pessimista, relata essa lista acima na hora que for conveniente.

Já eu prefiro enxergar que todos times, inclusive o São Paulo, têm o direito de errar a mão na hora de contratar no Brasil, afinal a missão não é nada fácil.

Todos erram, alguns acertam e mesmo assim seguimos com nosso ótimo futebol, cheio de emoções e equilíbrio.

O resto é puro exagero, distorção e oportunismo.

16.4.08

O Baixinho maior que todos

O que uma criança de 6 anos de idade sabe sobre futebol?

Nada, muitos irão dizer.

Mas foi pouco antes de completar esta idade que eu aprendi uma das coisas mais valiosas sobre o esporte: descobri o que era ser um gênio dentro da grande área.

Em 1994 meus principais ídolos eram personagens de desenho animado, de programas televisivos ou de gibis.

Mas então alguém do "mundo real" roubou a cena.

Era ano de Copa do Mundo e desde o golaço contra a Russia até o pênalti contra Pagliuca, Romário encantou uma nação e conquistou pelo menos um fã: eu.

Foi fácil deixar aquela admiração se tornar motivação e inspiração para respirar futebol futuramente.

Mas não era fácil entender como alguém podia fazer tudo aquilo com os pés.

A finalização sempre foi diferenciada, dotada de uma frieza assustadora.

A visão de jogo sempre foi mais completa do que a de qualquer atacante do seu tempo.

As arrancadas dos bons tempos, o posicionamento preciso, os passes ágeis e objetivos...

Romário sempre foi e sempre será único.

O Baixinho podia não ter feito mais nada depois daquela Copa do Mundo, mas ele fez.

Colocou a bola na rede de todas as formas.

Com voleio pela seleção.

De bicicleta pelo Flu.

Por cobertura pelo Barça.

Sem ângulo pelo Fla, depois de entortar Amaral.

Ou depois de entortar zagueiro argentino com a camisa do Vasco .

Ou como fosse preciso, não importava a dificuldade.

Imagens brilhantes do Baixinho nunca faltarão e um pouco de tudo ficará marcado na cabeça deste blogueiro, que não viu NINGUÉM jogar melhor que ele.

Mas é claro que não existiram só coisas certas, muito pelo contrário.

Romário arrumou confusões inúteis, jogou em times que viraram piadas, demorou para se aposentar e deixou até aquela impressão de que, se levasse tudo mais a sério, poderia ter conquistado mais títulos.

Mas como ele próprio disse, se fizesse assim, não seria tão feliz.

E da forma que foi, sempre de bem com as redes, Romário pode ter a certeza de que também deixou o futebol assim, sempre mais feliz.


Mais do que provar o quanto era bom, perto dos meus 6 anos Romário me ensinou a respirar futebol.

Agora ele enfim anunciou a aposentadoria dos gramados e me deixou estático em frente à TV por uns 10 minutos ou mais.

Ouví-lo dar esta notícia, mesmo tão esperada, ainda me fez ter recordações incontáveis.

Obrigado por tudo, "peixe"!

E tenha certeza que "tudo" não é pouca coisa!

15.4.08

E a solução está tão acessível...

O futebol cresceu de uma forma assustadora e hoje é um grande evento, um enorme negócio e muito mais do que um simples jogo.

Mas esqueceram de modernizá-lo.

Certas tecnologias já deveriam ter sido definitivamente implantadas no esporte há muito tempo.

Mas os anciões da FIFA preferem continuar vendo as injustiças ao redor do mundo.

Preferem que um investimento de todo um time seja desperdiçado por um erro que poderia ser evitado.

Preferem simplesmente insistir em uma grande besteira, por total falta de vontade e sobra de preguiça.

Chips e televisão não são acessórios fora do alcance, mas tornaram-se essenciais.

É claro que não dá para acreditar que todos os problemas de arbitragem serão resolvidos com a adoção da tecnologia.

Existem certos erros que só poderiam ser evitados se a regra mudasse, pois hoje são totalmente interpretativos.


Mas em lances como a bola na mão de Adriano (foto), no clássico deste domingo, bastava uma televisão acessível para o quarto árbitro olhar e avisar o juíz. Pronto! Será que é tão difícil?

As reclamações sobre as arbitragens se espalharam pelo país. Bonamigo no Paraná, Caio Júnior em Goiás e Paulo Comelli na Bahia também se envolveram em problemas, prejuízos e injustiças causados pelo homem do apito apenas neste fim de semana.

Há quem argumente que a entrada verdadeira da tecnologia tiraria algum charme do futebol.

Eu vejo sob outro ponto de vista, pois este charme não pode mais ser tão antiquado e nostálgico.

O mundo mudou e o futebol precisa acompanhar esta evolução.

O segredo está diante de todos, "só" falta a ação.

Não fez nada, mas assim está ótimo

Quanta sorte tem tido o Fluminense este ano.

Não bastasse o destino ter feito com que sua formação tática fosse alterada do 4-3-3 para o 4-2-2-2, agora Gustavo Nery (foto) pede para sair do time sem trazer grandes estragos.


Quando ele foi anunciado como reforço, eu o considerei uma PIADA e não só por causa da bola mediana que quase sempre jogou.

Mas por causa das confusões que costuma arrumar também.

Mas nesta passagem pelo Fluminense ele apenas não atrapalhou.

Começou como titular, perdeu a posição para Junior Cesar e foi embora, para alívio da torcida tricolor.

Não deve ter encontrado bons companheiros para as baladas.

E quem saiu ganhando muito é o Fluminense.

Enquanto Gustavo Nery jogou sua carreira no lixo, afinal dificilmente algum time grande ainda bancará essa PIADA.

Ninguém vai querer o risco de ter tanta sorte quanto o Fluminense teve.

O empresário de Nery é bom, mas agora terá uma dificuldade do tamanho dos problemas que o lateral costuma carregar.


Surpreendente e impressionante

E surpreendentemente, para mim, o Campeonato Italiano (Calcio) tem dado motivos para ter gosto de assisti-lo até as últimas rodadas.

Tanto a briga pelo título quanto pela vaga na Liga dos Campeões esquentaram e trouxeram uma emoção que não era vista no começo do ano, já que tudo parecia mais definido.

A Inter vacilou em algumas rodadas e a Roma, mesmo irregular, colou no time de Milão.

A diferença hoje é de 4 pontos somente.

À parte desta briga no topo, Juventus e Milan também trouxeram emoções neste fim de semana.

Em um clássico realizado em Turim, os mandantes venceram por 3 a 2 e complicaram a vida dos rossoneros.

E que jogaço fizeram esse times!

A Juventus saiu na frente com Del Piero.

O Milan consegiu virar o jogo com dois de Inzaghi.

E Salihamidzc (!!!) fez os dois gols da segunda virada da partida, decretando a vitória da Vecchia Signora.

Emoção não faltou e no final ainda ficou uma perguntando rodando sobre a minha cabeça: o que acontece com o Milan este ano?

Há menos de seis meses este mesmo elenco era campeão mundial.

Há menos de um ano eles conseguiam conquistas a Liga dos Campeões.

E agora não conseguem sequer vencer um clássico em que estavam com o jogo na mão?

A desculpa de que o time é velho não soluciona a questão, afinal a diferença de tempo entre o sucesso e o fracasso do clube não foi grande.

Em seis meses ou um ano ninguém envelhece tanto para cair de produção desta forma.

Agora fala-se em reformulação, Ronaldinho Gaúcho e uma série de dispensas...

Mas antes o time precisa resolver o problema da vaga na Liga dos Campeões, em que a Fiorentina é a principal rival.

Depois poderá ver qual será o planejamento.

Mas o pior de tudo é que os dirigentes do time estão invertendo esta ordem e sonhando alto demais.

Recomendo a eles que assistam novamente o clássico deste sábado e então percebam o tamanho do problema.

Qualquer um pode se impressionar, como aconteceu comigo...

14.4.08

Eu já vi esse filme...

Não faz muito tempo:

Era uma vez três atacantes: Washington, Leandro Amaral e Dodô.

O Fluminense tinha contratado o trio e o técnico Renato Gaúcho se empolgou: mandou os reforços para o campo juntos.

O time foi instável contra times pequenos, caiu na semi da Taça Guanabara e provou que não é fácil montar um esquema assim para jogadores brasileiros.

Então a Justiça puniu Leandro Amaral, Dodô se contundiu e o time teve que passar por uma reformulação tática.

A mudança foi para melhor e agora o tricolor carioca chega à final da Taça Rio com chances de poder brigar pelo título estadual futuramente contra o Flamengo...


Agora imagine uma história parecida no Rio Grande do Sul.

É o que tem acontecido com o Inter!

A ordem dos fatos é diferente, mas Abel Braga abusou da ofensividade na semifinal do Gaúcho neste fim de semana ao aproveitar o retorno definitivo de Nilmar após mais uma contusão.

Contra o Caxias, o time entrou com o meia Alex e o trio Iarley, Nilmar e Fernandão. O resultado ficou em 1 a 0.

No intervalo Abel já deu sinais de que não aprovou a tentativa, pois tirou Iarley e colocou o jovem zagueiro Titi.

Depois ainda veio a contusão de Fernandão e a expulsão de Marcão, que forçou a saída de Nilmar.

Dessa forma, a sorte do gol só veio aos 47 minutos do segundo tempo.

Agora fica a dúvida se Abel vai querer insistir com esta arriscada estratégia ou vai voltar ao esquema interessante chamado de "Bergamota Mecânica" pela revista Placar.

O exemplo do Flu foi bem claro, o teste deste domingo também.

Eu não teria dúvidas na escolha da segunda opção.

Tudo dentro do esperado

E no Rio de Janeiro acontecerá a "final fas favas contadas"

O esperado aconteceu: o Fluminense bateu o fraco Vasco, que até conseguiu se superar, mas os pênaltis foram justos com o melhor time.

E o Botafogo, muito mais motivado, venceu o Flamengo, que anda com a cabeça só na Libertadores por já ter vaga na final do estadual.

Agora veremos um duelo na Taça Rio entre o time de melhor grupo contra outro baseado em seus destaques individuais.

O Botafogo apostará na sua formação tática exótica (3-4-3), nas jogadas ensaiadas e na união do elenco.

Já o Fluminense acreditará em Thiago Neves, Conca, Washington, Arouca, etc... É um time de valores mais "egoístas".

E mais uma vez será um duelo entre um time tranqüilo e outro nervoso.

De um lado, o tricolor das Laranjeiras, que segue sem problemas na Libertadores.

Do outro, um alvinegro que passou sufoco contra o River/PI na Copa do Brasil e vive em eterna dívida com a torcida.

Na final da Taça Guanabara eu apostei que Cuca e companhia conseguiria controlar os nervos e quebrei a cara.

O time fez besteira contra o Flamengo e perdeu.

Mas eu continuarei apostando no ótimo trabalho do técnico do Botafogo, porque não faltam provas no futebol atual que um grupo unido tem mais valor do que vários craques no mesmo time.

Apostarei nessa tendência.

Mas admito que corro um sério risco de quebrar a cara novamente.

Erros e acertos na "semifinal final"

Sobre o primeiro jogo da "semifinal final" existem duas coisas que eu previ.

Uma não era tão difícil de enxergar.

Em um post de 11 de abril eu escrevi:

"Aliás, já fica a observação: Paulo César de Oliveira foi o escolhido para o primeiro jogo, o que é quase uma certeza de injustiça e erro"


Dito e feito!

E é claro que não falo só do gol de mão de Adriano, que na verdade será um gancho para outro texto.

Mas a arbitragem foi confusa demais em vários outros momentos.

E o que eu acho impressionante é como passam os anos e o Paulo César de Oliveira segue com prestígio na FPF e na CBF, mesmo com erros seguidos de erros.

Sua escalação para este jogo foi uma piada de mal gosto desde o começo.

A sua frase, na saída do gramado, foi mais um motivo de risadas (para não chorar).

Ele disse que viu o lance e interpretou como um toque sem intenção.

Perdeu a chance de ficar calado.

Agora a bomba vai para quem estiver no comando do jogo de volta...


E o outro fator que eu previ foi o equilíbrio entre as equipes.

Deixando de lado o apito, foi um jogo muito bom, com ambos times fazendo o que sabem melhor e comprovando que a expectativa criada para o jogo era justa e verdadeira.

O São Paulo foi humilde, respeitou suas limitações e decidiu fazer o que sabe melhor: se defender.

Conseguiu fazer isto com eficiência, principalmente graças ao bom retorno de Alex Silva, que voltará a fazer um bom trio de zaga com Miranda e André Dias e provará que a formação do 3-5-2 é a melhor escolha para o time tricolor.

O Palmeiras, além de ter sentido o gol tomado no começo do jogo, não soube sair da retranca são paulina, até porque tem jogadores que primam pela habilidade, mas não pela inteligência.

E é assim que vejo este primeiro confronto: o São Paulo soube ser mais racional, mais inteligente mesmo, enquanto no lado alviverde vimos apenas atuações medianas.

Agora para o segundo jogo o São Paulo é favorito por causa da vantagem do empate, que privilegia o tipo de jogo defensivo do tricolor.

Mas dentro de campo o equilíbrio voltará à tona certamente e podemos criar expectativas para um grande novo confronto.

12.4.08

Um equilíbrio pouco enxergado

Pouco importa os 14 jogos sem perder do Palmeiras, a excelente forma de Valdivia e as ótimas fases de Kleber e Alex Mineiro.

Também não serão tão relevantes as falhas defensivas do São Paulo, a viagem para o Chile, os rídiculos erros de Richarlysson e a total falta de criatividade no time tricolor.

O time alviverde é favorito sim, mas todos deveriam saber que tudo isso não quer dizer absolutamente nada depois que o apito de Paulo César de Oliveira soar no Morumbi, neste domingo.

Quando isto acontecer, tudo pode mudar.

A "semifinal final" está longe de ser previsível, como muitos querem fazer parecer.

Se há algumas vantagens inegáveis do momento do Palmeiras em relação ao São Paulo, penso que na verdade este equilíbrio virá de dois fatores: da equivalência entre treinadores e da experiência de jogadores dos dois times.

Primeiramente, os comandantes Luxemburgo e Muricy (foto), dois super vencedores de títulos nacionais, mas que ainda ambicionam um título continental.


Difícil escolher quem é o melhor entre os dois.
Eles terão que responder.

Mas uma certeza existe: esta escolha define o melhor técnico brasileiro no país atualmente, afinal, de fato, os dois estão um nível acima do restante.

Sendo assim, sobrarão duelos e nós táticos inéditos que certamente farão a diferença no Choque-Rei.

O outro fator de equilíbrio surgirá dentro de campo: é impressionante a quantidade de jogadores com experiência em decisões.

A começar pelo gol, em que temos São Marcos, finalista de Copa do Mundo, e Rogério Ceni, campeão da Libertadores e do Mundial de clubes pelo São Paulo.

Depois ainda segue uma razoável lista de jogadores com um passado de boas atuações em momentos importantes: Miranda, Jorge Wagner, Borges, Adriano, Diego Souza e Alex Mineiro.

Como se percebe, a superioridade numérica, neste caso, é tricolor.

E é óbvio que isso pode sim revelar-se como um fator relevante para um jogo com tanta pressão ao redor.

E no meio de tantas dúvidas, fica difícil arriscar um palpite até mesmo para o primeiro jogo apenas.

Mas como o Opinião em Campo não costuma ficar em cima do muro, arrisco o placar deste domingo: 1 a 1 e nada decidido para o jogo no Palestra Itália.

Assim seria ótimo!

11.4.08

Replay do sufoco

E pelo segundo ano consecutivo o Boca Juniors entra em uma situação complicada para se classificar para a segunda fase da Libertadores.

Em 2007 o time entrou em campo na última rodada contra o Bolívar para decidir seu futuro.

Precisava não só vencer, mas também torcer para o Toluca bater o Cienciano.

Para se classificar sem depender de outros times, era necessário aplicar uma goleada com 4 gols de diferença.

Foi então que o time fez um sonoro 7 a 0 contra o time boliviano e começou a caminhada rumo ao título de 2007.


Agora em 2008, depois da derrota para o Atlas e a vitória do Colo Colo na rodada, um replay do ano passado parece acontecer.

Novamente o Boca enfrentará o time mais fraco do seu grupo, o Maracaibo, precisando de golear para não depender de ninguém.

Se o time argentino não fizer um placar de 5 gols de diferença, o resultado entre Atlas e Colo Colo, no Chile, é que definirá seu futuro.

Certamente não faltará trocida brasileira contra o Boca Junior.

Afinal trata-se de um time que, se conseguir a classificação, certamente chegará longe, apesar de todos problemas.

Em 2007 foi assim.

E alguém duvida que será igual em 2008?

E os épicos brasileiros?

Não teve como não sentir uma certa inveja dos europeus nesta quinta-feira.

O grande jogo do Bayern de Munique contra o Getafe, pela Copa da Uefa, trouxe uma lembrança dos grandes jogos de mata-mata entre clubes brasileiros.

E de quebra ainda demonstrou que a Sul-Americana poderia sim ter muito mais graça, já que ela é a competição equivalente a Copa da Uefa para nós, brasileiros.

Na Europa, o time alemão de Munique perdia para o azulão de Madri por 2 gols de diferença até os 9 minutos do segundo tempo da prorrogação.

O Bayern era um time quase morto em campo, mas reagiu em 5 minutos e empatou o jogo, conquistando assim a sua classificação para as semifinais.

Luca Toni (foto) soube aproveitar uma falha rídicula de Abondanzieri e ainda acertou um belo cabeceio.

De fato não há outra palavra para definir: foi ÉPICO!

E então me bateu aquela saudade de jogos assim, mas com o envolvimento de clubes brasileiros, como vimos na década de 90.

Sou defensor dos pontos corridos, exatamente porque acho que a Copa do Brasil existe para trazer estamos emoções de um mata-mata.

Mas infelizmente o calendário brasileiro hoje é uma bagunça e a competição perdeu seu valor com a ausência dos times classificados para a Libertadores.

Mesmo assim, fica uma esperança: poderemos criar alguma expectativas para os próximos meses, já que todos brasileiros devem se classificar para o mata-mata da Libertadores e duelos como Palmeiras x Internacional podem acontecer na Copa do Brasil.

Enquanto isso não acontece, seguirei me deliciando com os ótimos jogos europeus criados exatamente por causa de um calendário melhor organizado...

Uma pena...

O amarelo temido na "semifinal final"

No meu primeiro post sobre a "semifinal final" escrevi sobre o clima de vingança que paira sobre o clássico decisivo entre Palmeiras e São Paulo.

Este clima certamente fará com que o jogo seja mais quente do que o normal e cartões sobrarão para todos lados.

Aliás, já fica a observação: Paulo César de Oliveira foi o escolhido para o primeiro jogo, o que é quase uma certeza de injustiça e erro. Pior que isso só na outra semifinal, em que Sálvio Spíndola foi o escolhido, mesmo após os dois erros em clássicos.

Dessa forma, é preciso que o São Paulo esteja atento para os jogadores que estão suspensos e trazem mais um fator interessante para esta partida.

Afinal arrancar cartões do tricolor não será tarefa das mais difíceis para Valdivia, por exemplo. O meia chileno do Palmeiras é o atleta mais caçado do Paulistão: sofreu 133 faltas em 16 jogos, média de 8,3 por partida.

Segue a análise individual de quem Valdivia e companhia tentará provocar desde o primeiro minuto:



Rogério Ceni

Importância: apesar de não ser mais o grande goleiro e nem o grande cobrador de faltas, ainda é o grande líder do time. Faria muita falta!

Chance de ser suspenso: é experiente demais para se deixar levar numa hora dessas. Chances mínimas!

Zé Luís

Importância: virou fundamental no resto de versatilidade que o time ainda tem, apesar de não ter tanta qualidade. Seria um desfalque percebido!

Chance de ser suspenso: É muito combativo e importante na marcação em qualquer setor. Grandes chances!

André Dias

Importância: não tem jogado bem, mas faltam zagueiros no time para repor sua possível ausência. Seria um desfalque percebido!

Chance de ser suspenso: É lento e pode sofrer com a velocidade do ataque palmeirense. Grandes chances!

Júnior

Importância: não tem sido uma opção escolhida por Muricy com freqüência, mas em uma decisão poderia jogar por causa da experiência. Mesmo assim, acho que só o Palmeiras lamentaria.

Chance de ser suspenso: não deve começar como titular e é experiente, portanto chances mínimas.

Joílson

Importância: Para muitos são-paulinos seria até um reforço ele não poder jogar. Só o Palmeiras lamentaria.

Chance de ser suspenso: de fato não sabe marcar e pode fazer alguma besteira sem muito esforço. Grandes chances!

Richarlyson

Importância: aparece muito para o jogo e, mesmo sem qualidade, faz com que o jogo tenha mais opções. Seria um desfalque percebido!

Chance de ser suspenso: Passou o Paulistão inteiro apenas batendo. Grandes chances!

Hernanes

Importância: fundamental no passe e na saída de bola do meio-campo são-paulino. Faria muita falta!

Chance de ser suspenso: tomou apenas 2 cartões amarelos durante todo o campeonato e é inteligente. Chances mínimas!

Jorge Wagner

Importância: essencial para as bolas paradas e jogadas aéreas com Adriano. Faria muita falta!

Chance de ser suspenso: não tem tido tantas responsabilidades defensivas e também é inteligente. Chances mínimas!

Não será fácil para o São Paulo lidar com esta situação.

E vale lembrar que Borges já está de fora do primeiro jogo.

Muricy tem um problema do tamanho deste clássico: fica até difícil para calcular!

E pior: só os próprios jogadores podem ser a solução.

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Preciso comentar a decisão da FPF e da Polícia Militar: o segundo jogo do Choque Rei será no Palestra Itália.

Na verdade, minha opinião já foi declarada aqui: o problema do estádio do Palmeiras não é a segurança.

Até a Polícia Militar deu aval e garantiu que fará o possível para que não haja problemas, como não aconteceu ano passado, no Brasileirão.

O jogo também era espécie de decisão, uma vez que o Palmeiras vinha em em uma crescente constante e diminuiria a vantagem do São Paulo na liderança para cinco pontos.

É uma pena de verdade que o estado do gramado do Palestra Itália esteja lamentável, mas há quem diga que a restauração é possível em uma semana.

Só o tempo dirá.

Por enquanto, fica a certeza da justiça de direitos, já que ambos times mandarão seus jogos no próprio estádio.

Resta só a minha torcida para que um dia os cartolas acordem para a possibilidade de promover jogos de uma torcida apenas.

Isto sim seria o ideal!

10.4.08

Tempo para mudar

Se Estadual em si não é parâmetro para uma análise nacional dos clubes, imagine a primeira fase destes campeonatos.

Aconteceu com o Atlético/PR e nesta quarta-feira o Grêmio repetiu o fato.

Tanto o Furacão quanto o tricolor gaúcho se deixaram enganar por um bom começo e caíram no conto da invencibilidade.

Nenhum time é "imortal", como os gremistas gostam de chamar seu time.

Quando se consegue uma seqüencia de vitórias, é preciso enxergar além para perceber o que realmente este fato quer dizer.

E a invencibilidade do Grêmio queria dizer pouca coisa na verdade, mas poucos enxergaram.

A rídicula demissão de Vágner Mancini depois de 6 jogos já foi uma prova de que o ano não seria fácil para os gremistas.

Na época eu escrevi que não duvidava que Roth seria apenas mais um a chegar e ir embora em um curto espaço de tempo.

Sua demissão ainda não aconteceu, sabe se lá porquê.

Mas se virar fato nos próximos dias, terá acontecido apenas um mês e meio depois da demissão de Mancini.

Nada mais do que o esperado, afinal o Grêmio tem realmente pensado pequeno.

O time não é tão ruim, mas precisa urgente pensar em contratar novos volantes e novos atacantes, além de um companheiro para Roger na meia.

Pelo menos terá tempo para isso: o time só voltará a jogar agora pelo Brasileirão.

Aconteça o que acontecer, a única certeza é que muita coisa tem que mudar no grêmio, desde a diretoria até o centroavante.

Palmas, mas com cautela


Há pouco tempo escrevi que os times brasileiros precisam de mais ousadia quando jogam fora de casa Libertadores.

É preciso ser folgado e chato mesmo.

Como foi o Flamengo nesta quarta-feira, contra o Cienciano, quando garantiu a vaga no mata-mata da ocmpetição.

Subiu na altitude de Cusco e não ficou preso às desculpas sobre a falta de oxigênio.

Resolveu jogar bola e mostrou o quanto é superior a times fracos como este do Cienciano.

O único problema desta vitória é a empolgação que pode vir depois do resultado.

Se o time encarar que a vitória foi apenas um passo importante e que as dificuldades de verdade ainda estão por vir, tudo bem.

Mas se achar que eles foram geniais e superaram as expectativas, o problema pode se desenhar facilmente na próxima fase da Libertadores.

O Flamengo deve continuar sendo folgado fora de casa.

Mas precisa manter os pés no chão quando tomar essa atitude, que não é mais do que a obrigação de um time que queira ganhar a Libertadores.