18.4.08

Guerreiras [nº 07] Quem vai falar o que importa?

Mulheres que batem um bolão, sem trocadilhos dessa vez. Aqui o futebol feminino, contestado e mal-tratado, tem espaço sim!


O Brasil já treina em Pequim (foto) para enfrentar a seleção da Gana neste sábado, às 8h30, em busca da vaga olímpica, na repescagem.

Com tudo para ser um jogo tranqüilo, é preciso lembrar que o time só está nessa situação (de repescagem) por causa de um jogo que também tinha tudo para ser tranqüilo: contra a Argentina, na final do Sul-Americano.

Portanto, olhos sempre abertos e torcida atenta por esse provável time, estranhamente com 3 volantes:

Bárbara; Maycon, Aline, Mônica e Rosana; Renata Costa, Ester, Formiga, Daniela Alves; Marta e Cristiane.

Por ser um jogo de seleção, nada de muito diferente tem acontecido em relação à imprensa: a cobertura tem sido razoável e o jogo será transmitido pela Band e pela Globo.

Mais uma vez os narradores irão comentar sobre o descuido com o esporte no Brasil e tudo ficará resumido a essa velha e chata repetição...

Ninguém comentará que o Campeonato Paulista de clubes femininos já começou neste domingo e tem previsão para acabar daqui a oito meses, o que é vantajoso, já que manterá os times de sucesso em atividade por um ótimo tempo.

Ninguém dirá que o Palmeiras se uniu ao Santos e ao Corinthians e se tornou o terceiro time paulista de massa a manter um plantel feminino.

Ninguém motivará o Corinthians a confirmar os boatos e trazer a Marta para seu time feminino, o que seria uma grande vitória para todos, apesar da dificuldade disto se tornar realidade.

Ninguém dará os parabéns ao Saad, o atual campeão da Copa do Brasil, por ter conseguido trazer de fora do país duas novas jogadoras para a temporada: Maravilha e Angélica.

E, por fim, ninguém dirá que tem time utilizando jogadoras de 15 anos nos campeonatos pelo Brasil afora exatamente por causa do péssimo planejamento da CBF junto aos clubes.

Se alguma transmissão der uma dessas notícias, já será uma grande vantagem.

Mas querer que narradores e comentaristas estejam informados no dia talvez seja exigir demais.

E o poder da imprensa de mudar um pouco a situação dos clubes será mais uma vez desperdiçado...

Só fico me perguntando: até quando?

Espero que calem minha boca.

Estarei atento!
  • Leia também outros comentários do Opinião em Campo sobre futebol feminino nas seções "Guerreiras" nº 06, nº 05 e nº04

Sem ter pra onde correr

Eu tenho pena... MUITA pena de Wilson Luiz Seneme (foto).

Ele foi o escolhido para apitar o segundo Choque-rei da "semifinal final".

Nem o considero um árbitro tão ruim.

Não que seja bom, mas atualmente ser um dos "menos piores" já é de grande valia.

O problema é a pressão.

Nem precisaria dizer que o jogo será quente desde o começo.

Portanto, não permitirá erros.

Ninguém terá qualquer tolerância e ele não conseguirá sair do Palestra Itália discretamente, sem ser notado, o que seria o ideal para todos.

Mesmo os acertos polêmicos serão severamente questionados.

Dentro de campo ou fora dele.

Antes do jogo, durante ou depois dele.

Um perigo enorme caiu sobre o apito de Seneme.

E desde já começaram as acusações e os avisos prévios:

A Mancha Verde, em mais uma atitude rídicula, típica de torcidas organizadas, invadiu a FPF durante o sorteio de árbitros.

Depois que saiu o resultado, as críticas vieram por causa da forma física de Seneme, que não seria ideal.

De onde tiraram isso? Não dá pra saber...

Outra coisa que foram procurar para já pressioná-lo: a porcentagem de vitórias do São Paulo com ele no apito, que é de 80%.

Não quer dizer nada, mas vão querer transformar em algo que diga muito sobre alguma coisa.


E tudo isso é apenas uma pequena amostra do que virá pela frente...

Pior do que isso, só a outra semifinal do Paulista: Abade no apito, com Corona e Ana Paula de Oliveira.

O circo está armado, sem esconderijos e ainda vai pegar fogo!

17.4.08

NOVIDADE

Há pouco tempo descobri o Twitter.

Confesso que isso aconteceu um tanto atrasado.

Na verdade já tinha ouvido falar, mas nunca criei curiosidade para ver exatamente como funcionava.

E então, em uma noite qualquer de tédio, fui ver do que se tratava.

Confesso que gostei.

E na mesma hora surgiu uma idéia: trazer o Twitter para dentro do blog.

A ferramenta já está colocada aqui ao lado, logo abaixo da enquete.

Chamará "DOIS TOQUES" e funcionará como se fosse outro espaço para posts.

Mas sobre assuntos dos quais eu tenho menos para falar, então serão resumidos nos 140 caracteres permitidos pelo Twitter.

Ou também para lançar comentários no momento em que assisto aos jogos, o que aumentará as chances de eu queimar minha língua, mas tudo bem.

Ou também para avisar sobre atualizações e novidades sem perder tempo.

Vamos ver o que acontece e arriscar... mais uma vez, quem sabe sai um golaço?

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Quando quase todos perdem

É incrível como a vida de ser trocedor no Brasil é complicada e só tende a ficar cada vez pior.

No primeiro clássico da "semifinal final" entre Palmeiras e São Paulo tivemos apenas 37.203 pagantes.

É claro que é um número razoável, mas no Morumbi cabem 60.000 pessoas!!!

O espetáculo poderia ter sido bem maior e melhor. Mas não foi. Assim como parece que não será tão diferente no segundo jogo.

E as razões para isto estão na cara de todos: dos torcedores, dos dirigentes e da imprensa.

Primeiramente, é claro que se trata de um reflexo da violência.

Não são poucas as pessoas que nunca foram em um clássico de seus times exatamente por causa do temor em relação à segurança.

O aumento dos preços dos ingressos também é outra razão evidente.

O valor de diversos setores recebeu um acréscimo de pelo menos 100%, um absurdo sem qualquer explicação, afinal não há melhoria nenhuma na condição dos estádios.

E mais do que isso: a desorganização na venda deste ingressos inibe demais!

São sistemas que falham, cambistas que sobram, filas paradas e desrespeito em proporções absurdas.


E o pior: nada é feito para mudar!


A história vai se repetir no Palestra Itália.

O Estadão veio nesta quinta-feira com uma denúncia de que cambistas conseguem ingressos dentro do Palmeias.

Talvez com a empresa terceirizada, a BWA, talvez com funcionários mesmo.

Pouco importa...

Mas assim são derrotados os torcedores, os clubes, o espetáculo e o próprio futebol como um todo.

Será que algum dia alguém vai se mexer para mudar isso?

Eu tenho perdido qualquer esperança de ver isso acontecer...

Apesar dos pesares


É óbvio que o time do Santos não tem qualidade suficiente para ir longe nessa Libertadores.

Eu não apostava nem que eles passariam da primeira fase e o sufoco para conseguir este feito mostra o quanto estão despreparados.

Além do time ser fraco, ainda parece afobado demais em oportunidades decisivas, o que costuma ser fatal na Libertadores.

Mas há uma coisa que também é fato: Leão tem em mãos bons valores individuais sim!

Há algum tempo escrevi por aqui que o Santo precisava começar a planejar o Brasileirão.

Com a eliminação no Paulistão e a provável desclassificação na Libertadores, que deve acontecer logo mais, o foco desde já deveria ser o campeonato nacional.

Isto porque há uma base que pode se tranformar em um time a dar trabalho no segundo semestre.

Basta manter os principais jogadores: Fábio Costa, Kléber, Molina e Kleber Pereira (como tem jogado bem!)

Basta motivar os razoáveis "coadjuvantes": Adaílton, Betão, Dênis, Tabata, Wesley e Trípodi.

E basta acertar a mão em algumas contratações: principalmente zagueiro, volante e atacante.

O elenco parece estar mais unido e o técnico Leão começa a entender como aproveitar seus jogadores.

Se o Santos mantiver os pés no chão, pode começar a crescer e dar passos maiores a longo prazo.

Que fique bem claro: a longo prazo!

Hora de mudar de discurso

Cansei de ouvir um certo papinho da imprensa.

Antes, durante ou depois de qualquer jogo do Corinthians:

"O problema desse time é do meio para frente"

"A defesa está arrumada, mas no ataque não tem qualidade"

"O que falta são atacantes que chamem o jogo"

Não discuto as críticas ao ataque.

Afinal acreditar em Herrera, Lulinha, Acosta e companhia não é uma aposta inteligente, para dizer o mínimo.

Mas o que me irrita são os elogios e o tratamento diferenciado com o sistema defensivo do Corinthians.

A defesa passou por uma fase boa no começo do ano, mas já caiu de produção há algum tempo.

Sofrer 3 gols do medíocre Goiás no jogo de ontem foi mais uma prova disso.

E a defesa não foi fraca só nos lances de gols, mas durante todo o jogo, sempre deixando espaços demais e falhando muito na saída de bola.

E não critico aqui só Chicão e William.

Mas os volantes não têm conseguido dar qualquer cobertura eficiente e os laterais permitem cruzamentos para a área com muita facilidade.

Parece que Mano perdeu a mão de sua defesa exatamente quando partiu para se preocupar com o ataque.

Talvez seja necessário dar alguns passos para trás e novamente arrumar a sua retranca.

Se os comentaristas por aí continuam achando que tudo está ok, tenho certeza que Mano, inteligente como é, sabe que não tem funcionado assim.

O problema é que o tempo corre, o sufoco na Copa do Brasil já está armado e a Série B começa logo mais...

Haja trabalho!

Sobre o direito de errar

Reforçar um time no Brasil é uma tarefa de dificuldade enorme.

E esperar que qualquer diretoria acerte sempre é uma bobagem sem tamanho.

O São Paulo resolveu dispensar de vez um de seus reforços desta temporada sem dar quaisquer explicações.

Carlos Alberto (foto) chegou, foi embora e só o gol contra o Santos, para decidir o clássico, foi realmente valioso.

O resto foi trágico.

Então passei a ouvir e ler diversos comentários maldosos sobre a diretoria do tricolor.

Escreveram por aí que, de um ano para o outro, tudo piorou muito para os lados do Morumbi.

Não é bem assim!

A verdade é que a culpa é da própria imprensa, que sempre exagerou nos elogios nos últimos dois anos...

E agora que as coisas não estão indo tão bem, exageram nas critícas.

Tentei lembrar de alguns erros de contratações dos últimos anos: Hugo, Rodrigo Fabri, Christian, Rondon, Jadílson, Dagoberto, Leandro Bonfim, Lima, Marquinhos, Edgar, Fernando, Fredsson, Maurinho, Reasco, Joílson, Juninho...

Mas no meio de tudo isso, também aconteceram acertos importantes e o sucesso do São Paulo é a prova disso.

No fim, tudo vira uma questão de ponto de vista.

Se você quer olhar por um ponto falso e otimista, relata as conquistas e as boas contratações.

Se você quer olhar por um ponto falso e pessimista, relata essa lista acima na hora que for conveniente.

Já eu prefiro enxergar que todos times, inclusive o São Paulo, têm o direito de errar a mão na hora de contratar no Brasil, afinal a missão não é nada fácil.

Todos erram, alguns acertam e mesmo assim seguimos com nosso ótimo futebol, cheio de emoções e equilíbrio.

O resto é puro exagero, distorção e oportunismo.

16.4.08

O Baixinho maior que todos

O que uma criança de 6 anos de idade sabe sobre futebol?

Nada, muitos irão dizer.

Mas foi pouco antes de completar esta idade que eu aprendi uma das coisas mais valiosas sobre o esporte: descobri o que era ser um gênio dentro da grande área.

Em 1994 meus principais ídolos eram personagens de desenho animado, de programas televisivos ou de gibis.

Mas então alguém do "mundo real" roubou a cena.

Era ano de Copa do Mundo e desde o golaço contra a Russia até o pênalti contra Pagliuca, Romário encantou uma nação e conquistou pelo menos um fã: eu.

Foi fácil deixar aquela admiração se tornar motivação e inspiração para respirar futebol futuramente.

Mas não era fácil entender como alguém podia fazer tudo aquilo com os pés.

A finalização sempre foi diferenciada, dotada de uma frieza assustadora.

A visão de jogo sempre foi mais completa do que a de qualquer atacante do seu tempo.

As arrancadas dos bons tempos, o posicionamento preciso, os passes ágeis e objetivos...

Romário sempre foi e sempre será único.

O Baixinho podia não ter feito mais nada depois daquela Copa do Mundo, mas ele fez.

Colocou a bola na rede de todas as formas.

Com voleio pela seleção.

De bicicleta pelo Flu.

Por cobertura pelo Barça.

Sem ângulo pelo Fla, depois de entortar Amaral.

Ou depois de entortar zagueiro argentino com a camisa do Vasco .

Ou como fosse preciso, não importava a dificuldade.

Imagens brilhantes do Baixinho nunca faltarão e um pouco de tudo ficará marcado na cabeça deste blogueiro, que não viu NINGUÉM jogar melhor que ele.

Mas é claro que não existiram só coisas certas, muito pelo contrário.

Romário arrumou confusões inúteis, jogou em times que viraram piadas, demorou para se aposentar e deixou até aquela impressão de que, se levasse tudo mais a sério, poderia ter conquistado mais títulos.

Mas como ele próprio disse, se fizesse assim, não seria tão feliz.

E da forma que foi, sempre de bem com as redes, Romário pode ter a certeza de que também deixou o futebol assim, sempre mais feliz.


Mais do que provar o quanto era bom, perto dos meus 6 anos Romário me ensinou a respirar futebol.

Agora ele enfim anunciou a aposentadoria dos gramados e me deixou estático em frente à TV por uns 10 minutos ou mais.

Ouví-lo dar esta notícia, mesmo tão esperada, ainda me fez ter recordações incontáveis.

Obrigado por tudo, "peixe"!

E tenha certeza que "tudo" não é pouca coisa!

15.4.08

E a solução está tão acessível...

O futebol cresceu de uma forma assustadora e hoje é um grande evento, um enorme negócio e muito mais do que um simples jogo.

Mas esqueceram de modernizá-lo.

Certas tecnologias já deveriam ter sido definitivamente implantadas no esporte há muito tempo.

Mas os anciões da FIFA preferem continuar vendo as injustiças ao redor do mundo.

Preferem que um investimento de todo um time seja desperdiçado por um erro que poderia ser evitado.

Preferem simplesmente insistir em uma grande besteira, por total falta de vontade e sobra de preguiça.

Chips e televisão não são acessórios fora do alcance, mas tornaram-se essenciais.

É claro que não dá para acreditar que todos os problemas de arbitragem serão resolvidos com a adoção da tecnologia.

Existem certos erros que só poderiam ser evitados se a regra mudasse, pois hoje são totalmente interpretativos.


Mas em lances como a bola na mão de Adriano (foto), no clássico deste domingo, bastava uma televisão acessível para o quarto árbitro olhar e avisar o juíz. Pronto! Será que é tão difícil?

As reclamações sobre as arbitragens se espalharam pelo país. Bonamigo no Paraná, Caio Júnior em Goiás e Paulo Comelli na Bahia também se envolveram em problemas, prejuízos e injustiças causados pelo homem do apito apenas neste fim de semana.

Há quem argumente que a entrada verdadeira da tecnologia tiraria algum charme do futebol.

Eu vejo sob outro ponto de vista, pois este charme não pode mais ser tão antiquado e nostálgico.

O mundo mudou e o futebol precisa acompanhar esta evolução.

O segredo está diante de todos, "só" falta a ação.

Não fez nada, mas assim está ótimo

Quanta sorte tem tido o Fluminense este ano.

Não bastasse o destino ter feito com que sua formação tática fosse alterada do 4-3-3 para o 4-2-2-2, agora Gustavo Nery (foto) pede para sair do time sem trazer grandes estragos.


Quando ele foi anunciado como reforço, eu o considerei uma PIADA e não só por causa da bola mediana que quase sempre jogou.

Mas por causa das confusões que costuma arrumar também.

Mas nesta passagem pelo Fluminense ele apenas não atrapalhou.

Começou como titular, perdeu a posição para Junior Cesar e foi embora, para alívio da torcida tricolor.

Não deve ter encontrado bons companheiros para as baladas.

E quem saiu ganhando muito é o Fluminense.

Enquanto Gustavo Nery jogou sua carreira no lixo, afinal dificilmente algum time grande ainda bancará essa PIADA.

Ninguém vai querer o risco de ter tanta sorte quanto o Fluminense teve.

O empresário de Nery é bom, mas agora terá uma dificuldade do tamanho dos problemas que o lateral costuma carregar.


Surpreendente e impressionante

E surpreendentemente, para mim, o Campeonato Italiano (Calcio) tem dado motivos para ter gosto de assisti-lo até as últimas rodadas.

Tanto a briga pelo título quanto pela vaga na Liga dos Campeões esquentaram e trouxeram uma emoção que não era vista no começo do ano, já que tudo parecia mais definido.

A Inter vacilou em algumas rodadas e a Roma, mesmo irregular, colou no time de Milão.

A diferença hoje é de 4 pontos somente.

À parte desta briga no topo, Juventus e Milan também trouxeram emoções neste fim de semana.

Em um clássico realizado em Turim, os mandantes venceram por 3 a 2 e complicaram a vida dos rossoneros.

E que jogaço fizeram esse times!

A Juventus saiu na frente com Del Piero.

O Milan consegiu virar o jogo com dois de Inzaghi.

E Salihamidzc (!!!) fez os dois gols da segunda virada da partida, decretando a vitória da Vecchia Signora.

Emoção não faltou e no final ainda ficou uma perguntando rodando sobre a minha cabeça: o que acontece com o Milan este ano?

Há menos de seis meses este mesmo elenco era campeão mundial.

Há menos de um ano eles conseguiam conquistas a Liga dos Campeões.

E agora não conseguem sequer vencer um clássico em que estavam com o jogo na mão?

A desculpa de que o time é velho não soluciona a questão, afinal a diferença de tempo entre o sucesso e o fracasso do clube não foi grande.

Em seis meses ou um ano ninguém envelhece tanto para cair de produção desta forma.

Agora fala-se em reformulação, Ronaldinho Gaúcho e uma série de dispensas...

Mas antes o time precisa resolver o problema da vaga na Liga dos Campeões, em que a Fiorentina é a principal rival.

Depois poderá ver qual será o planejamento.

Mas o pior de tudo é que os dirigentes do time estão invertendo esta ordem e sonhando alto demais.

Recomendo a eles que assistam novamente o clássico deste sábado e então percebam o tamanho do problema.

Qualquer um pode se impressionar, como aconteceu comigo...

14.4.08

Eu já vi esse filme...

Não faz muito tempo:

Era uma vez três atacantes: Washington, Leandro Amaral e Dodô.

O Fluminense tinha contratado o trio e o técnico Renato Gaúcho se empolgou: mandou os reforços para o campo juntos.

O time foi instável contra times pequenos, caiu na semi da Taça Guanabara e provou que não é fácil montar um esquema assim para jogadores brasileiros.

Então a Justiça puniu Leandro Amaral, Dodô se contundiu e o time teve que passar por uma reformulação tática.

A mudança foi para melhor e agora o tricolor carioca chega à final da Taça Rio com chances de poder brigar pelo título estadual futuramente contra o Flamengo...


Agora imagine uma história parecida no Rio Grande do Sul.

É o que tem acontecido com o Inter!

A ordem dos fatos é diferente, mas Abel Braga abusou da ofensividade na semifinal do Gaúcho neste fim de semana ao aproveitar o retorno definitivo de Nilmar após mais uma contusão.

Contra o Caxias, o time entrou com o meia Alex e o trio Iarley, Nilmar e Fernandão. O resultado ficou em 1 a 0.

No intervalo Abel já deu sinais de que não aprovou a tentativa, pois tirou Iarley e colocou o jovem zagueiro Titi.

Depois ainda veio a contusão de Fernandão e a expulsão de Marcão, que forçou a saída de Nilmar.

Dessa forma, a sorte do gol só veio aos 47 minutos do segundo tempo.

Agora fica a dúvida se Abel vai querer insistir com esta arriscada estratégia ou vai voltar ao esquema interessante chamado de "Bergamota Mecânica" pela revista Placar.

O exemplo do Flu foi bem claro, o teste deste domingo também.

Eu não teria dúvidas na escolha da segunda opção.

Tudo dentro do esperado

E no Rio de Janeiro acontecerá a "final fas favas contadas"

O esperado aconteceu: o Fluminense bateu o fraco Vasco, que até conseguiu se superar, mas os pênaltis foram justos com o melhor time.

E o Botafogo, muito mais motivado, venceu o Flamengo, que anda com a cabeça só na Libertadores por já ter vaga na final do estadual.

Agora veremos um duelo na Taça Rio entre o time de melhor grupo contra outro baseado em seus destaques individuais.

O Botafogo apostará na sua formação tática exótica (3-4-3), nas jogadas ensaiadas e na união do elenco.

Já o Fluminense acreditará em Thiago Neves, Conca, Washington, Arouca, etc... É um time de valores mais "egoístas".

E mais uma vez será um duelo entre um time tranqüilo e outro nervoso.

De um lado, o tricolor das Laranjeiras, que segue sem problemas na Libertadores.

Do outro, um alvinegro que passou sufoco contra o River/PI na Copa do Brasil e vive em eterna dívida com a torcida.

Na final da Taça Guanabara eu apostei que Cuca e companhia conseguiria controlar os nervos e quebrei a cara.

O time fez besteira contra o Flamengo e perdeu.

Mas eu continuarei apostando no ótimo trabalho do técnico do Botafogo, porque não faltam provas no futebol atual que um grupo unido tem mais valor do que vários craques no mesmo time.

Apostarei nessa tendência.

Mas admito que corro um sério risco de quebrar a cara novamente.

Erros e acertos na "semifinal final"

Sobre o primeiro jogo da "semifinal final" existem duas coisas que eu previ.

Uma não era tão difícil de enxergar.

Em um post de 11 de abril eu escrevi:

"Aliás, já fica a observação: Paulo César de Oliveira foi o escolhido para o primeiro jogo, o que é quase uma certeza de injustiça e erro"


Dito e feito!

E é claro que não falo só do gol de mão de Adriano, que na verdade será um gancho para outro texto.

Mas a arbitragem foi confusa demais em vários outros momentos.

E o que eu acho impressionante é como passam os anos e o Paulo César de Oliveira segue com prestígio na FPF e na CBF, mesmo com erros seguidos de erros.

Sua escalação para este jogo foi uma piada de mal gosto desde o começo.

A sua frase, na saída do gramado, foi mais um motivo de risadas (para não chorar).

Ele disse que viu o lance e interpretou como um toque sem intenção.

Perdeu a chance de ficar calado.

Agora a bomba vai para quem estiver no comando do jogo de volta...


E o outro fator que eu previ foi o equilíbrio entre as equipes.

Deixando de lado o apito, foi um jogo muito bom, com ambos times fazendo o que sabem melhor e comprovando que a expectativa criada para o jogo era justa e verdadeira.

O São Paulo foi humilde, respeitou suas limitações e decidiu fazer o que sabe melhor: se defender.

Conseguiu fazer isto com eficiência, principalmente graças ao bom retorno de Alex Silva, que voltará a fazer um bom trio de zaga com Miranda e André Dias e provará que a formação do 3-5-2 é a melhor escolha para o time tricolor.

O Palmeiras, além de ter sentido o gol tomado no começo do jogo, não soube sair da retranca são paulina, até porque tem jogadores que primam pela habilidade, mas não pela inteligência.

E é assim que vejo este primeiro confronto: o São Paulo soube ser mais racional, mais inteligente mesmo, enquanto no lado alviverde vimos apenas atuações medianas.

Agora para o segundo jogo o São Paulo é favorito por causa da vantagem do empate, que privilegia o tipo de jogo defensivo do tricolor.

Mas dentro de campo o equilíbrio voltará à tona certamente e podemos criar expectativas para um grande novo confronto.

12.4.08

Um equilíbrio pouco enxergado

Pouco importa os 14 jogos sem perder do Palmeiras, a excelente forma de Valdivia e as ótimas fases de Kleber e Alex Mineiro.

Também não serão tão relevantes as falhas defensivas do São Paulo, a viagem para o Chile, os rídiculos erros de Richarlysson e a total falta de criatividade no time tricolor.

O time alviverde é favorito sim, mas todos deveriam saber que tudo isso não quer dizer absolutamente nada depois que o apito de Paulo César de Oliveira soar no Morumbi, neste domingo.

Quando isto acontecer, tudo pode mudar.

A "semifinal final" está longe de ser previsível, como muitos querem fazer parecer.

Se há algumas vantagens inegáveis do momento do Palmeiras em relação ao São Paulo, penso que na verdade este equilíbrio virá de dois fatores: da equivalência entre treinadores e da experiência de jogadores dos dois times.

Primeiramente, os comandantes Luxemburgo e Muricy (foto), dois super vencedores de títulos nacionais, mas que ainda ambicionam um título continental.


Difícil escolher quem é o melhor entre os dois.
Eles terão que responder.

Mas uma certeza existe: esta escolha define o melhor técnico brasileiro no país atualmente, afinal, de fato, os dois estão um nível acima do restante.

Sendo assim, sobrarão duelos e nós táticos inéditos que certamente farão a diferença no Choque-Rei.

O outro fator de equilíbrio surgirá dentro de campo: é impressionante a quantidade de jogadores com experiência em decisões.

A começar pelo gol, em que temos São Marcos, finalista de Copa do Mundo, e Rogério Ceni, campeão da Libertadores e do Mundial de clubes pelo São Paulo.

Depois ainda segue uma razoável lista de jogadores com um passado de boas atuações em momentos importantes: Miranda, Jorge Wagner, Borges, Adriano, Diego Souza e Alex Mineiro.

Como se percebe, a superioridade numérica, neste caso, é tricolor.

E é óbvio que isso pode sim revelar-se como um fator relevante para um jogo com tanta pressão ao redor.

E no meio de tantas dúvidas, fica difícil arriscar um palpite até mesmo para o primeiro jogo apenas.

Mas como o Opinião em Campo não costuma ficar em cima do muro, arrisco o placar deste domingo: 1 a 1 e nada decidido para o jogo no Palestra Itália.

Assim seria ótimo!